Não gosto

Não gosto de muito calor. Não gosto de ventoinhas. Não gosto de Ovas. Não gosto de pudim. Não gosto de whisky. Não gosto de coca-cola. Não gosto de Manga. Não gosto de Papaia. Não gosto de pessoas falsas. Não gosto de falsas humildades. Não gosto de pessoas sem objectivos. Não gosto de mulheres sem sal. Não gosto de mulheres vulgares. Não gosto de mulheres feministas. Não gosto de mulheres machistas. Não gosto de mulheres que se queixam muito. Não gosto que se façam de vitimas. Não gosto que me acusem do que não fiz. Não gosto de falar mal dos outros. Não gosto que me enganem. Não gosto que me façam de parvo. Não gosto que me ignorem. Não gosto de sofrer. Não gosto de ver sofrer ninguém. Não gosto de injustiças. Não gosto de populismos. Não gosto de pessoas sem opiniões. Não gosto que se deixam de influenciar. Não gosto de pessoas obcecadas. Não gosto de pseudo intelectuais. Não gosto do Paulo Portas. Não gosto da Celeste Cardona. Não gosto do Luís Delgado. Não gosto dos programas de Tv da manhã. Não gosto do Herman Sic. Não gosto do Fernando Rocha. Não gosto de viajar com crianças a chorar por perto. Não gosto de andar de mota. Não gosta de cenas radicais. Não gosto do Porto. Não gosto de Pinto da Costa. Não gosto de usar tanga. Não gosto de usar sapatos engraxados. Não gosto que me julguem pela aparência. Não gosto de cabelo curto. Não gosto de pessoas certinhas. Não gosto de pessoas mesquinhas. Não gosto de pessoas incompetentes. Não gosto de juntar dinheiro. Não gosto de trabalhar de manhã. Não gosto de fazer por obrigação. Não gosto de multidões. Não gosto de me sentir só. Não gosto de ter saudades.

Há greves e greves

Mesmo estando em Cabo Verde, tento acompanhar tudo o que se passa em Portugal. Além da Internet, vejo também o noticiário da SIC.

Ao que parece a Caixa Geral de Depósitos esteve hoje em greve. Aliás um óptimo dia para fazer greve, não acha? Mas não é disso que pretendo falar. Nem sequer no transtorno que uma greve no maior banco português causa. De facto, quando se faz uma greve o objectivo é mesmo incomodar, senão para que se faz uma greve?

Esta greve, no maior Banco português, fez-me lembrar o Brasil. No passado verão visitei o Brasil. E fiquei apaixonado. O Brasil é imensamente lindo. Contudo, tem algumas coisas que nem dá para acreditar. Por exemplo, você acredita que, há 15 dias atrás, os maiores bancos Brasileiros estiveram em greve um mês seguido? Você imagina o transtorno causado? Você sabe que lá não existe o sistema Multibanco? Você imagina que perdi dois dias das minhas férias no Brasil, para fazer um simples levantamento, que em Cabo Verde demora 15 minutos? Você acredita que os brasileiros já estão conformados com isto?

Como vê um dia de greve na CGD não é assim tão mau...

A Matemática

Matemática? Bragh! Detesto matemática! É só p’ra crânios! Afirmações deste tipo são comuns nos nossos jovens dos dias de hoje, muitas vezes, produto de preconceitos enraizados na sociedade. De facto, não são só os mais jovens que sofrem deste mal. Grande parte da sociedade vê na matemática um bicho de sete cabeças. Assim, considera-se normal que os miúdos não gostem, não se dediquem nem tenham aproveitamento escolar nesta disciplina. Desta forma, o papel do professor de matemática está cada vez mais dificultado.
Tem-se a ideia de que a matemática é um edifício de técnicas e teoremas. Nada mais natural que esta situação. Pois o ensino da Matemática não tem sido isso mesmo? Um treino intensivo de técnicas, um acumular de noções e conteúdos em tempos que parecem cada vez mais escassos, uma avaliação de aprendizagem que consiste, ainda hoje, essencialmente, em testes e exames escritos? Que ideia diferente poderia ter resultado de tal tratamento?
A matemática tem certamente características próprias, resultantes da sua natureza abstracta, da sua carga simbólica, dos seus métodos rigorosos. Mas será mesmo inevitável que a maioria dos jovens passem por tantas dificuldades nesta disciplina?

Meu querido Diário (II)

Hoje coloquei um aluno na rua. Inevitável. Por vezes, enquanto professores, tomamos decisões que nem sempre queremos. Esta foi uma delas. No entanto, se queremos ser justos e respeitados pelos nossos alunos, temos de tomar decisões difíceis. Mandar para a rua um aluno não me afecta muito. Essencialmente, porque acredito que, pelo menos aqui, funciona. O aluno sente o castigo e nas próximas aulas modifica a atitude. Possivelmente noutros lugares não é assim, o que torna esta questão algo de mais discutível.
Custou-me mandar este aluno para a rua, porque me revi, quando era da sua idade, nas suas atitudes. De facto, ele foi para a rua por uma sucessão de piadas, que por acaso até tinham graça. Quantas vezes eu fui para a rua assim. Quantas vezes eu achei tal decisão injusta...

Passados alguns minutos do aluno sair da sala de aula, vou dar com este aluno, de joelhos, com o caderno no chão a ouvir o resto da aula e a passar tudo o que eu escrevia no quadro (dou as aulas de porta aberta). Claro, que não contive o riso em frente a todos os alunos, o que provocou uma gargalhada geral.

A outra dimensão de Deus

As recorrentes leituras de C.S. Lewis são, para mim, sempre proveitosas. Gostaria de partilhar uma ideia que me ajudou muito a compreender a dimensão de Deus. O conceito tem base bíblica mas não aparece na bíblia. Por isso não aceite isto como uma doutrina. Aliás o que vem a seguir pode ser até bastante polémico.

Pensemos na dimensão de Deus. Que ideia fazemos de Deus? Porque é que para Deus um dia são como mil anos e mil anos como um dia? Será que Deus conhece o nosso amanhã? Como é possível Deus atender centenas de milhões de pessoas no mesmo instante?

A vida vem-nos momento a momento. Um momento desaparece antes de outro surgir. O tempo é assim. Desta forma, tendemos a partir do princípio que esta série temporal – esta ordenação do passado, do presente e do futuro – não só rege a nossa vida, mas a maneira como todas as coisas existem. Há em nós a convicção que o universo e o próprio Deus estão em movimento constante do passado para o futuro, tal como sucede connosco.

È quase certo que Deus é exterior ao tempo e que a sua vida não consiste em momentos sucessivos. Para Deus todos os momentos são presente. Pensem assim: Deus tem toda a eternidade para ouvir uma oração proferida, numa fracção de um segundo, de um piloto de um avião que se despenha em chamas no solo. Sei que é difícil de compreender. Por assim dizer, para Deus ainda é 1200 ou 2005. Se imaginarmos o tempo como uma linha recta ao longo da qual temos de viajar, teremos de imaginar Deus como toda a página em que a linha está traçada. Nós, temos de sair do ponto A da linha antes de chegarmos ao ponto B e não podemos alcançar o ponto C sem termos largado o ponto B. Deus, do alto, ou de fora, ou de toda a volta, contém a linha inteira e vê-a toda.

Deus não têm história. È demasiado real, absolutamente real para ter história. Para Deus não há passado, presente ou futuro. Para Deus todos os momentos são agora (mesmo os que passaram, para nós, há 2000 mil anos ou que irão acontecer, para nós, daqui a 1000 anos!).

Desta forma fica resolvida, para mim, uma outra grande dificuldade que se levanta com esta questão. Repare, toda a gente que crê em Deus, crê que Ele sabe o que nós iremos fazer amanhã. Mas se ele sabe que vou fazer isto ou aquilo, como eu posso ter a liberdade de fazer uma coisa diferente?

Ainda aqui a dificuldade está em pensarmos que Deus avança, como nós, ao longo da linha temporal. Mas para Deus o nosso amanhã é para Ele agora. Todos os dias para Ele são agora. Não se lembra que de que ontem fizemos isto ou aquilo : vê-nos simplesmente a fazê-lo.

Ele não prevê que amanha façamos determinadas coisas: vê-nos pura e simplesmente a fazê-las, porque se para nós o amanhã ainda não chegou, para Ele já. Deus não sabe dos nossos actos antes de os praticarmos. Mas o momento que os praticamos é já “agora” para Ele.

Não sei se fui claro a transmitir a ideia. Usei quase sempre o texto de C.S. Lewis. Para mim, esta ideia assume uma grande profundidade. Mas admito que seja polémico.

Meu querido diário

O calor está insuportável. Não sei se este calor se pode quantificar em graus, mas parece-me que estão uns 50 graus. Por causa disto, não tenho dormido bem. Contudo, a vida continua. Ontem à noite fui comer uma lagosta. Ainda não foi desta que fiquei um apreciador. Este sábado tem sido bastante monótono. Há um problema conexão da internet e na Tv só passa futebol. Três jogos seguidos do campeonato Inglês. Mesmo para mim, é demais. O pior é que não temos escolha, pois todos os canais estão a dar o mesmo. Ainda pensei ir passear, mas o calor não deixa. O curioso é que apesar de estar numa ilha, não tenho uma praia aqui perto! Resta-me ler e escrever um pouco.

As novas tendências pedagógicas

Por esta altura, em Cabo Verde, faz um calor insuportável. Agora imagine dar 5 aulas de matemática a turmas de 44 alunos. Cansativo. O ensino faz-se apenas com um pau de giz e um quadro. Não existe manual, computadores, laboratórios, giz de côr,...No entanto, deixe-me dizer que é extremamente reconfortante ser professor por aqui, porque os alunos ainda são respeitadores, trabalhadores e interessados.Em contrapartida, no nosso Portugal, as novas tendências de ensino apontam no sentido em que o aluno tem de achar a escola algo divertido. Assim não se devem fazer exercícios, os alunos não devem memorizar, não se deve dar trabalhos de casa, não devem ir para a rua quando desrespeitam o professor, ...Felizmente tenho a sorte de estas novas tendências ainda não terem chegado aqui. E você, certamente, que percebe porquê.Mas alguém acredita que sem esforço, sem disciplina, sem memorização, sem prática e força de vontade se consegue aprender alguma coisa?

A lógica da Trindade de deus

No outro dia pensava na lógica da trindade de Deus. A esse propósito, aqui fica esta pequena reflexão, baseada, em grande parte, nas ideias de C.S Lewis.Utilizando uma única dimensão, só podereis traçar uma linha recta. Utilizando duas, podereis traçar uma figura, digamos um quadrado. E um quadrado consiste em quatro linhas rectas. Utilizando três dimensões, podereis construir um sólido, um cubo, por exemplo. E um cubo consiste em seis quadrados. Repare que à medida que avançamos para planos mais reais e mais complicados, não abandonamos as coisas que encontrámos nos planos mais simples. Estão apenas combinadas de maneiras novas, as quais não poderíamos imaginar se só tivéssemos conhecimento dos planos mais simples.O principio de Deus abrange o mesmo princípio.O plano humano é um plano simples e bastante vazio. Uma pessoa é um ser (uma personalidade), e duas pessoas são dois seres distintos (duas personalidades distintas). Como em duas dimensões, por exemplo numa folha de papel, um quadrado é uma figura e dois quadrados duas figuras distintas.Na dimensão de Deus, ainda encontramos lá personalidades, mas combinadas de maneiras novas que nós, que não vivemos nesse plano somos incapazes de imaginar. Na dimensão de Deus, encontra-se um ser que sendo três pessoas permanece um Ser, assim como um cubo, sendo seis quadrados, permanece um cubo.Evidentemente que não podemos conceber um ser assim, do mesmo modo, que se fossemos feitos para perceber apenas duas dimensões no espaço, nunca poderíamos imaginar um cubo no espaço.

Comunicação

Ouvi com muita atenção o nosso Primeiro Ministro na sua comunicação ao país. A pretexto do caso Marcelo, de que nem falou, conseguiu ter todas as atenções. Apesar de não ter havido direito ao contraditório, esteve muito bem. Aliás, todos nós sabemos que a “conversa” é o seu ponto forte. Na aflição, fez promessas e uma excelente propaganda.Ao que parece, o discurso de Santana Lopes foi antecipado para as 20 horas porque um assessor lembrou-se que o horário anterior coincidia com a Quinta das Celebridades. Ainda bem que o fez, porque senão corria o risco que os portugueses pensassem que a Quinta tinha mais um concorrente. Será que não o incomoda a facilidade com que podemos imaginar o Nosso Primeiro Ministro na Quinta das Celebridades?E é precisamente neste ponto que faz sentido citar outro grande vulto da actualidade ,José Castelo Branco: “No mundo, há dois tipos de pessoas: os que mamam e os que são mamados!”.

Malucos à parte

Hoje fui à praia. Melhor, hoje fui ver o mar. No regresso, um maluco fez questão de me acompanhar. No minimo, incomodativo. O que me consola é que os malucos não têm noção das figuras que fazem. Talvez por isso sejam mais felizes que nós.

Bem Vindos

Olá caros amigos. Obrigado por visitarem este balde de lixo. Se esperam encontrar aqui algo de interessante estão completamente enganados. Aqui, quanto muito, encontrarão lugares comuns, textos roubados e, uma vez por outra, rascunhos de coisas que até têm alguma piada.

Espero que gostem. Ou não.