Avaliação

Ontem recebi uma encarregada de educação de uma aluna, da minha direcção de turma, muito interessada no acompanhamento escolar da filha. A aluna em questão é uma óptima aluna a matemática. Tirou 18 no teste. Tem uma boa participação na aula. Faz os T.P.C.s. Tem um comportamento exemplar. Por isto tudo foi com enorme surpresa que recebi a notícia que ela tinha tirado um 5 no teste da disciplina de Estudo Científico. Chamei a aluna e tentei perceber o porquê dessa nota. A sua timidez não permitiu tirar grandes conclusões. No entanto, a mãe dela, fez-me algumas queixas do professor. Além disso, confirmou-me que a filha tem graves problemas de audição o que não permitem captar tudo o que se passa na aula. Pelo menos naquela. Mais tarde, reparei que havia outros alunos na mesma situação. Por exemplo, o meu melhor aluno a matemática também teve um 5 no teste de Estudo científico.Como se permite que bons alunos tenham estas notas? Como não se detecta nas aulas que o aluno está com dificuldades? Porque se resume tudo a um teste?

Esta disparidade de notas fez-me reflectir sobre a avaliação. De facto, umas vezes, cometemos erros de avaliação porque não conhecemos bem os nossos alunos, outras vezes porque não usamos os critérios mais adequados. Para os alunos, tudo passa pela avaliação. Mas avaliação não deve apenas traduzir um número, uma nota. É necessário que se faça uma avaliação aula a aula, capaz de recolher informações sobre os alunos, mas também capaz de fornecer informações aos alunos de modo a poderem auto-regularem as suas aprendizagens. Por isso a tarefa de avaliar é tão importante e difícil. O acto de avaliar não se resume apenas à recolha de informações sobre os alunos é necessário também saber interpretá-los.

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