Experiências da minha vida

As histórias do meu pai preenchem o meu imaginário. Talvez mais do que isso. Hoje, recordava uma história que o meu pai me contou dezenas de vezes sempre como fosse a primeira vez. A história, como sempre, tem um ensinamento, que hoje quero, assumidamente, por em causa.

O meu pai fez a tropa à cerca de 50 anos atrás. Apesar do meu pai não ter ido para nenhuma guerra, foi sujeito, enquanto militar, a manobras militares, que segundo ele, eram treinos muito parecidos com uma guerra real.

Após estar três dias fora do quartel, numa dessas manobras, conta o meu pai, que, quando ia na caminhada a pé de regresso para o quartel, sentiu uma fome imensa. Por sorte, encontrou uma cebola perdida no chão de um dos campos que percorrera até chegar ao quartel. Apesar da fome ser muita, o meu pai conta que guardou a cebola dentro da mochila, pois lembrou-se que tinha um bocado de pão duro dentro do cacifo no quartel.

Assim, conta ele que, quando chegou ao quartel, foi logo buscar o pão duro e bolorento que tinha guardado e que, juntamente com a cebola, fez a melhor refeição da sua vida. Pode pensar que estou a exagerar, mas o meu pai afirma, que nunca na vida comeu algo que lhe soubesse tão bem. Pão duro e bolorento com cebola e muita fome. Mais, já experimentou, por variadas vezes, repetir a ementa, mas nunca mais conseguiu ter semelhante sensação. Pelo contrário.

A história tem alguma lógica. Podemos até generalizá-la a muitas outras coisas. Eu por exemplo, sempre com esta história em mente, tento sempre obter o máximo prazer das coisas. Por exemplo, espero ter fome para poder comer. Ou aguento o máximo sem fazer chichi para depois sentir um maior prazer quando fizer. (...) Pode achar estranho, mas são experiências interessantes que valem a pena fazer.

No entanto, nesta minha busca do prazer tive, e continuo a ter, uma grande decepção. Beber água. De facto, por muita sede que tenha, beber água não me satisfaz. Pelo contrário, fico cheio mas não tiro daí nenhum prazer. Não sei se já passou pela mesma situação, mas a mim acontece-me sempre que tento saciar a minha sede. Uma sede imensa nunca é correspondido, enquanto bebemos água, por um prazer imenso. Uma desilusão. Chego sempre à conclusão que não vale a pena ter sede para beber água. Não compensa. Experimente e vai ver que tenho razão.

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