Também não se pode ter tudo: as férias e ordenado!

Hoje, ser professor é mais do que um desafio é um acto de coragem. As condições de vida dos professores degradaram-se, ninguém duvide. Aliás, toda a gente reconhece que o ensino está em crise. Parece-me óbvio: se quisermos um melhor ensino, temos que ter melhores professores. Ter melhores professores implica dar à profissão condições mais atractivas.

O único critério para a colocação de professores é a média. Um número. O computador trata do resto. Desta forma, a colocação de professores faz-se sem o mínimo de subjectividade. Mas isto acontece em mais alguma profissão? Mas há alguma empresa que recruta alguém sem fazer uma entrevista, sem conhecer os candidatos, sem saber das suas motivações? Todas essas coisas que levam a sentir afinidades ou repulsas, prazer ou mal estar, tudo o que mostra que somos um ser humano, tudo o que traduz essa estranha vocação de professor, tudo isso é pura e simplesmente ignorado.

Defendo que se premei a qualidade. Por isso não me choca que os professores sejam avaliados, aliás, é o que acontece em qualquer empresa. Como sabemos a profissão de professor proporciona inúmeras situações de não ser exercida. Aliás, muitos professores gostam desta profissão por isso mesmo. O receio de ser despedido ou de não ser promovido de forma automática é que parece justificar esse apego desesperado à segurança por parte de tantos professores. Constato que é muito fácil cair na rotina, no comodismo, no facilitismo. Mas será isso benéfico para o ensino? Pessoalmente, para ser feliz, eu preciso que reconheçam o valor ou a ausência de valor do meu trabalho. Embora não seja isso que me faz funcionar. Embora eu não procure agradar, preciso que os outros me digam sinceramente o que pensam do que eu faço.

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