Treuze

Tudo o que faço na aula está a ser observado pelos meus alunos. Estou em directo. Actuo sem rede. As minhas mínimas reacções são observadas, os meus erros são imediatamente apontados.

Por uma vez, disse numa aula, “treuze” em vez de treze. Valeu-me uma alcunha que me persegue por todo o São Nicolau. O “treuze”. Todos os alunos, fora da sala de aula, me chamam “treuze”. Apesar de ter origem numa gaff minha, confesso que até acho alguma piada a este nominho (alcunha em crioulo). Até ver.

Sinto que os alunos têm um grande carinho por mim. Talvez porque a minha relação com eles, fora da aula, seja também diferente. Jogo futebol com eles nos intervalos. Falo com eles de outras coisas que não a escola. Meto-me com eles quando o Porto perde. Contudo, há uma coisa que já me começa a irritar. A obsessão deles pelo meu cabelo. No percurso até à sala de aula o meu cabelo é completamente estropiado. Especialmente quando estou a abrir a porta da sala de aula com a chave. Nesse momento estou de costas para os alunos que me rodeiam, e eles, anonimamente, são incapazes de resistirem ao meu cabelo. Chego até a chatear-me e a pedir um metro de distância enquanto abro a porta. Enfim...

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