As propinas

Acabo de sair de uma reunião de directores de turma, com o fim de esclarecer algumas questões relativas ao pagamento de propinas. Sim, porque aqui, apesar (ou por isso) de Cabo Verde ser um país pobre os alunos que querem estudar pagam propinas. Desde o 7º ano até ao 12º ano. As propinas variam entre os 12 e 180 Euros anuais. O critério é o rendimento do agregado familiar. Ou melhor, deveria ser, mas, de facto não é. À escola interessa ganhar dinheiro, pois é deste dinheiro que a escola faz o seu orçamento. Assim, considera-se como agregado familiar os que estão a viver em casa e os, eventuais, pais emigrantes (mesmo que vivam com outra família e/ou que não enviem dinheiro). A Situação é de facto muito complexa, e na maior parte dos casos injusta. Ainda para mais, não é considerado nem o número de irmãos (que, aqui, varia entre os 10 e os 15!), nem sequer o números de irmãos estudantes, nem outras variáveis importantes.

Como deve calcular, este esquema de propinas gera muitas injustiças. Pior, condiciona o ensino a apenas aqueles que têm posses. Para muitas famílias 5 Euros por mês é muito dinheiro. Ainda para mais, como só existe um liceu na ilha, muitos alunos têm de pagar transporte para se deslocarem até à escola (cerca de 2 Euros diários). Assim, muitos alunos, alguns com enormes capacidades, ficam de fora do sistema de ensino (apesar de haver um sistema de apoio social).

Neste aspecto, Cabo Verde faz-me lembrar o Portugal que o meu pai me falava existir à 50 anos atrás. Um Portugal discriminatório dos mais carenciados, incapaz de fazer justiça social. Talvez seja esta uma das diferenças entre países sub-desenvolvidos e países desenvolvidos. Em países ricos e países pobres. Ou então não.

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