Desabafos (I)

Gostava de ter o talento dos grandes escritores para poder traduzir em palavras tudo o que me passa pela minha cabeça. Ideias. Sensações. Sentimentos. Opiniões. Dizem que tenho outros talentos. Desaproveitados. Subaproveitados. De facto, não passo de um daqueles gajos que se desenrasca em quase tudo, mas que não se consegue destacar numa só coisa. Até podia. Bastava, talvez, me dedicar a uma coisa que gostasse a sério. Mas para isso é preciso perseverança. E eu sou pouco perseverante. Sempre me bastou saber que era capaz de lá chegar. Sem nunca lá chegar. Se eu provar, para mim mesmo, que sou capaz de uma coisa, isso me chega. Não preciso fazê-la. Não sou gabarolas. Talvez seja convencido. Ou então, talvez não tenha coragem de perder. Por uma vez.

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