As crianças

Uma das coisas que mais me tem impressionado, em Cabo Verde, é a alegria das crianças. Ainda para mais porque sei que nem sempre levam uma vida fácil. Muitos, não vivem com os pais, não têm brinquedos comprados, ténis ou televisão. Alguns, nem sequer electricidade, água ou comida. Contudo, apesar de enigmático, conservam um sorriso natural, espontâneo e contagiante. Não sei explicar bem porquê, mas talvez seja porque são mais livres, no sentido em que ninguém os condiciona nas brincadeiras o que, talvez, possibilite que sejam mais naturais e ,por isso, mais alegres.

Além de me parecerem felizes, estas crianças conservam um grande espírito de solidariedade. Deixem-me dar um exemplo, para perceberem do que falo. Perto da escola, existe um campo de futebol de salão em cimento. Nesse campo, por mais do que uma vez, já assisti a 3 jogos de futebol em simultâneo, com 6 equipas, 3 bolas distintas e apenas 2 balizas. Os jogos decorrem normalmente, mas ao mesmo tempo, com os guarda redes a revezarem-se nas balizas, conforme a proximidade da bola do seu respectivo jogo. O mais incrível é que os jogos ocorrem sem problemas, onde ninguém interfere, intencionalmente, no jogo que não é o seu. Claro que, de vez em quando, uns levam umas boladas, mas ninguém se queixa, pois isso também faz parte do jogo. Parece impossível imaginar, mas de facto, é algo lindíssimo, porque tudo parece estar, de alguma forma, coordenado, como num bailado.

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