Na falta de assunto melhor, hoje, escrevo sobre o amor. Entre um homem e uma mulher, entenda-se. Não é que eu seja um especialista na matéria. Muito pelo contrário. Mas, mesmo assim, vou arriscar em dizer umas coisas. Comuns. Sem sentido. E breves. Claro.Todos sabemos que amar não tem nada que ver com a ideia que é transmitida nos filmes. Porém, de alguma forma, os filmes, consciente ou inconscientemente, estão contribuindo para que nunca amemos ou amemos mal. Por um lado, fazem-nos confundir amor com paixão, banalizando-o, por outro, colocam o amor num estado tão idílico e perfeito que, com tanta desilusão e frustração, julgamos ser utópico, impossível de alcançar.

Mas afinal o que é amar? A resposta a esta pergunta é, obviamente, pessoal. Cada um pode falar por si. Por isso, e infelizmente, não tenho resposta. No entanto, estou cada vez mais consciente que amar é muito mais que uma paixão e muito mais do que um simples "amo-te". De facto, não posso dizer que amo só porque alguém preenche o meu vazio, satisfaz as minhas necessidades ou me faz sentir bem. Redutor e passageiro. Digo eu.

Lembro-me de uma conversa que tive há uns tempos, em que alguém me explicava o porquê dos casamentos por conveniência, especialmente os judaicos dos tempos bíblicos. Explicavam-me então que a concepção de amor era diferente, pois acreditava-se que amar dependia de uma decisão, de uma atitude. Assim como perdoar depende. Explicando melhor. Se você acredita que pode perdoar alguém, de coração sincero, então também poderá amar. Depende de si, da sua cultura, das suas expectativas. Claro, que isso hoje é muito difícil de aceitar e até compreender. Se ninguém perdoa de coração, muito menos ama. Contudo, apesar de isto me parecer algo de radical, e até polémico, acredito que tenha um pouco de verdade. E é por esse pouco que pretendo chegar ao meu ponto.

Estou certo que o amor verdadeiro é fruto, também, de uma decisão e um compromisso. Claro que terá que haver um sentimento forte, possivelmente até de paixão, não sei. Mas o que quero dizer, este é o ponto, é que muitas vezes, não estamos dispostos a amar e desejamos muito amar. Vivemos à espera da princesa encantada, como que um milagre, tal como nos filmes, acontecesse. E depois desiludimo-nos. Antes de amar é necessário decidirmos fazê-lo. Não quer isso dizer que devemos amar pela razão. Pelo contrário. No entanto, tem de haver uma atitude em nós, intencional, racional, de preservar e construir o amor, isto é, temos de comprometer-nos racionalmente com o amor e não entregar tudo à emoção, que como sabemos, é, muitas vezes, inconstante e enganadora. E p(r)onto. Tenho dito.

Nota: Após alguns protestos, decidi alterar um pouco o último parágrafo, pois concluí que acabei por transmitir uma ideia diferente da que queria. Não sei se melhorou. Mas agora vai ficar assim mesmo.

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