Os domingos da Vila

O dia mais animado, na vila da Ribeira Brava, é o domingo. Cumprindo a tradição, toda a gente sai de casa para se reunir na praça, o local mais carismática da vila. Desde as 17 horas até à uma da manhã, a praça fica cheia de pessoas, que se reúnem em pequenos grupos, para conversar, beber e comer, tudo ao som de uma música bem alta que sai de um dos bares próximos. Quem não souber que isto se trata de uma tradição semanal, certamente que julgará que ali está a decorrer uma festa ou qualquer coisa do género. O que me tem intrigado é o facto deste acontecimento semanal ser ao domingo e não ao sábado. E a verdade é que ninguém me sabe explicar.

Ir à praça ao domingo é acima de tudo um acto social. Das crianças aos mais velhos todos têm o seu espaço. As crianças brincam à volta da praça num corrupio constante. Os mais velhos, especialmente homens, juntam-se num canto específico da praça ou então junto a algum dos bares ali existentes. Os Jovens ficam encostados ao muro, de frente para a estrada, que limita a praça. Os rapazes, obviamente, aproveitam o dia para irem mandando uns piropos às meninas, que, quase sempre, passam o dia de um lado para outro, como de um desfile se tratasse. Porém, os mais conservadores, descem ao piso inferior da praça, e aos pares, de mão dada, ficam a noite a fazer grogue, isto é, ficam horas a fazer voltas contínuas à praça num ritual de cortejamento único. Afinal, para alguns, a tradição ainda é o que era. Ou não.

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