Vamos aos saldos?

Muita gente tem a ideia que com 5 euros, em Cabo Verde são reis e senhores. Desenganem-se. Hoje, por exemplo, fui às compras, essencialmente comida, e gastei 100 euros, sem, no entanto, trazer nada de significativo para casa. As coisas, em Cabo Verde, têm pelo menos o dobro do preço do que em Portugal. De facto, muitos dos produtos vendidos acabam por ser os mesmos, acrescidos dos custos de viagem e dos ganhos dos, pelo menos, dez intermediários.

Esta realidade acaba por ser chocante, pois a maior parte da população não trabalha e os que têm trabalho, têm um ordenado médio a rondar os 100 euros. Ainda para mais, com a enorme carência de água, já são poucos os que conseguem ter a sua própria horta ou animais. Assim, devem estar a perguntar-se, como consegue a população sobreviver? A questão é para mim recorrente. Dizem-me que é á custa do dinheiro vindo da emigração e de uma vida de sacrifício, restringida ao essencial, isenta de luxos e de custos supérfluos.

Pergunta-se o Jorge, no Africanidades, “como podemos nós, ocidentais, lidar com a nossa condição, sem nos sentirmos culpados por isso? Será que nos devemos sentir culpados? Porque temos nós tudo e outros tão pouco ou nada mesmo? O que podemos fazer para diminuir esse fosso? E como fazer para não tornar esse fosso cada vez maior?”

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