Diário de um professor V

Anteontem, numa aula, um aluno chamou-me de maluco. Espontaneamente e, ao que me pareceu, sem me querer ofender. Contudo, e apesar de ter falado em crioulo, teve azar, pois ouvi e percebi exactamente o que disse. Como é óbvio, não tive outra alternativa senão a de colocar o aluno fora da sala de aula, com a respectiva falta disciplinar e participação ao director de turma. Inevitável. Hoje, num intervalo, apareceu-me a mãe do dito aluno para falar comigo. Depois de se apresentar, explicou que o seu filho lhe tinha contado o que se passou, e que, por isso, vinha pedir desculpa pelo seu comportamento. Apesar de o filho lhe ter dito que aquela palavra saiu sem ele querer, dizia-me que sentia-se envergonhada, e garantiu-me que o rapaz nunca mais iria ter uma atitude como aquela, pois tinha sido repreendido com uma “grande sova”. Repetiu-me isto três vezes. Como devem calcular, e apesar de compreender e aceitar as diferenças culturais, não pude deixar de ficar com a consciência um pouco pesada. Contudo, aqui, as regras são bem rígidas, e mesmo na própria escola, qualquer comportamento inadequado é punido muito severamente. Como castigo. Como exemplo. E essencialmente, como forma de preservar a autoridade da escola. Do professor. E o certo é que, quase sempre, a coisa funciona...

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