O problema do lixo

Além da matemática, uma das minhas grandes lutas em Cabo Verde tem sido a consciencialização dos meus alunos para a questão do lixo. De facto, nenhum deles manifesta estar sensibilizado para tal. Exemplo disso são as salas de aula que, pelo último tempo, têm mais papéis e plásticos no chão do que todos os caixotes do lixo da escola. Aliás, para os alunos é perfeitamente natural e normal, mesmo dentro da sala de aula, mandar o lixo para o chão ou mesmo pela janela. Como se nada fosse. Poderia-se pensar que se trata apenas de uma questão de educação. Mas é bem mais que isso. É, acima de tudo, um problema cultural, enraizado em toda a sociedade, do mais novo ao mais velho. pois, ninguém se importa. Ninguém repreende ninguém. As pessoas têm outras preocupações. Outras prioridades, porventura, muito mais importantes e decisivas na sua vida. Aliás a existência de contentores e a recolha de lixo é algo muito recente em Cabo Verde. Pois, até há bem pouco tempo, cada família se desfazia do seu lixo como podia. Talvez por isso não exista essa consciência cívica, esse hábito, de colocar o lixo no lixo. Desta forma, só as novas gerações poderão modificar e alterar esta situação. Mas não é fácil alterar mentalidades e hábitos tão enraizados. Por isso batalho tanto com os meus alunos. Pois para eles, e para a sociedade, um papel no chão não tem importância nenhuma. Até porque a empregada limpa, dizem-me.

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