Preciso de dormir para parar de sonhar

Nestes últimos tempos raramente tenho sonhado. Só mesmo de olhos abertos. O que, convenhamos, não tem a mesma graça. Mas nem sempre foi assim. Quando era mais novo sonhava imenso. Muito mesmo. Talvez porque tinha mais tempo, mais disponibilidade e menos preocupações. Não sei. O que sei é que era muito bom. Especialmente naquela altura do sono, entre as 8 horas e o meio-dia, em que já se está meio consciente e que se consegue controlar o sonho a nosso belo prazer. E sonhar, meio consciente, é do melhor que há. Muito melhor do que qualquer filme. E bem mais real e interessante. Nem que seja porque o actor principal, realizador e argumentista somos nós próprios, tal como num bom filme do woody Allen. Ainda por cima, desta forma, tem-se a possibilidade de sonhar com as coisas mais fantásticas e impossíveis que se possa imaginar. E sempre com a garantia de um final feliz. Para o nosso lado, claro. Pelo menos se conseguirmos levar o sonho até ao fim. O que muitas vezes, por causa da hora de almoço, se torna impossível. E acordar a meio de um sonho destes é do mais bárbaro que existe. Porque, por muito que se tente, não se consegue voltar a ele. É de ficar amuado para o resto do dia. De tão bom que era.

Ora bem, hoje em dia, por muitas tentativas que faça, já não consigo sonhar desta forma. O que é uma enorme frustração, ainda para mais quando nem cinema tenho por aqui. O que quer dizer que os meus níveis de ficção, imaginação e auto-estima andam muito por baixo. E para piorar as coisas, como não consigo sonhar, perdi a motivação para dormir. O que faz com que ande com umas olheiras de todo o tamanho, mal humorado e a bocejar todo o dia. O que é muito chato. Especialmente quando o director está a falar para nós de coisas importantes. Por isso, apesar de não saber a quem me devo dirigir, quero reivindicar aqui os meus sonhos de volta, assim como, as minhas dez horas de sono por dia. Para o meu bem. E do meu próximo.

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