Porque é que os portugueses associam tanto o sexo à alimentação?

Uma das expressões mais curiosas, no nosso bom português, é aquela que se diz de uma pessoa que é atraente: “É boa como o milho!”. Mais que curiosa esta expressão é intrigante, pois o milho, temos de o reconhecer, não é assim tão bom como isso. Outra coisa irritante que se faz muito em Portugal é chamar “figos” às pessoas e esperar que as pessoas se sintam envaidecidas com isso. “Chamava-lhe um figo”, como se o figo fosse uma coisa fabulosa para estar assim a chamar às pessoas... Também só em português é que quase todos os nomes de frutos ou peixes são, por si só e por contexto, potenciais obscenidades. Os exemplos são muitos e nem vale a pena os mencionar. De facto, seja milho ou seja figo, a lição é clara: o povo português tem um tal amor à alimentação, sacralizando tanto aquilo que come, que sobrevaloriza certos alimentos, ao ponto de os confundir com objectos de paixão bastantes mais elevados, como sejam a título de exemplo, as pessoas. A pedra de toque desta inefável associação portuguesa do sexo e da alimentação, é o uso que se faz dos verbos que mais comummente se usam para designar a acção de quem se alimenta. O comer (e os seu congénere papar) não acabam nos confins da mesa do almoço ou do jantar... Ora bem, as conotações sexuais que há muito se deram a estas simples palavras fariam que um marciano, ao ouvir dois portugueses acerca de uma recente conquista, julgasse a nação portuguesa como um povo orgulhosamente canibal. A verdade é que deve haver uma explicação bem lógica para isto tudo. Talvez se deva à falta generalizada de ambas as coisas, não sei. O que vos parece?

Outros futebóis

Só agora, que recomecei a jogar futebol, é que me apercebi do contexto futebolístico no qual estou envolvido. Por aqui, os jogadores são, de uma forma geral, tecnicamente evoluídos mas muito fracos tacticamente. Até a jogar na brincadeira se nota. Além disso, têm um hábito terrível de passarem todo o jogo a discutir com os elementos da própria equipa. Outra particularidade é que ninguém gosta de ir à baliza. Por isso, os jogos que fazemos jogam-se com balizas minúsculas de um passo. Mais interessante ainda é perceber, e falo destes jogos entre amigos, que existem estratificações futebolísticas, que de alguma forma, consoante a qualidade dos jogadores, constituem autênticas divisões por categorias. Assim, pelo que me apercebi existem, pelo menos, quatro classes distintas. A primeira constituída pelos jogadores das equipas federadas de futebol 11 e que, por norma, só jogam entre eles pois julgam-se a elite futebolística da ilha. A segunda, composta também pelos jogadores das equipas de futebol 11 federado mas que não são convocados, e que são, mesmo assim, considerados bons jogadores e aqueles que melhor forma física têm. A terceira, composta por jogadores, que embora não joguem numa equipa federada de futebol 11, são considerados, por um ou outro motivo, jogadores com um certo jeito. Nesta categoria, entram várias classes de futebolistas. Desde os demasiados lentos para o futebol 11, os com mais de 30 anos, os jogadores mais ou menos bons e as jovens promessas. Por último, a quarta categoria. que é formada por aqueles jogadores que não conseguiram entrar na terceira. Ou seja, os tipos que não têm muito jeito mas que pensam que sabem jogar futebol. E a verdade é que, apesar de esforçados e dedicados, são uns autênticos cepos, lentos, sem garra e sem habilidade nenhuma. Ora bem, eu actualmente estou a jogar nesta categoria. Mas, sem falsas modéstias, já me começo a destacar. Pelo menos é o que dizem os olheiros. Até há quem diga, à boca aberta, que devo começar a treinar na terceira categoria, pois nesta já começo a atrapalhar o futebol dos meus companheiros. Por isso, quando a condição física melhorar, é possível que ocorra um salto na minha mais recente carreira futebolística. Mas muito sinceramente a ambição já começa a subir-me à cabeça... e por isso, o céu é o meu limite.

O tempo tudo cura...

Durante estes dias recomecei a jogar futebol. Talvez tenha sido uma das melhores coisas que me aconteceram ultimamente. E não estou a exagerar, pois há dois anos que não o fazia. E não porque não quisesse, mas sim porque não podia, pois tinha um joelho que me o impedia. Bastava correr apenas 5 minutos para ter que parar com dores. Os médicos especialistas nunca conseguiram detectar qualquer problema que fosse e, por isso, remeteram-me sempre para mais exames. Entretanto vim para Cabo Verde e não pude completar todos exames. No início ainda pensei que isso passasse, mas cada vez que tentava jogar, e foram muitas vezes ao longo destes dois anos, o joelho não me o permitia fazer por mais do que 5 minutos. E assim, resignei-me a esta condição de lesionado permanente qual Mantorras. E acreditem que não foi nada fácil, pois o futebol sempre foi uma grande paixão e o meu hobby favorito. Ainda para mais aqui, em Cabo Verde, onde o maior passatempo dos homens é o futebol (claro que também há as mulheres, mas adiante...). Pois bem, há uma semana atrás já tinha tido a impressão que o meu joelho estava melhor, pois, num passeio que fiz, pus-me a jogar futebol com o pessoal e a coisa aguentou-se sem dores para além dos 5 minutos da praxe. Por isso, esta semana, decidi fazer um teste para verificar o estado do meu joelho tal qual um jogador da bola a sério. Corri durante 40 minutos sem uma única queixa. Fiquei radiante. Mal podia acreditar que, assim do nada, o meu joelho se tinha curado. Para tirar as teimas, hoje decidi ir novamente correr. Mas, a convite de uns amigos, acabei por ir jogar futebol. E não é que, durante os 40 minutos que joguei, o fiz sem nenhum problema?! Ou melhor sem nenhum problema no joelho, porque quanto à condição física e à habilidade a coisa está uma lástima. Mas hei-de voltar aos velhos tempos. Ou então não.

Seca? Catástrofe?

Hoje, no telejornal da tarde da SIC, passou uma reportagem sobre a situação de seca que Portugal, em especial o Alentejo, está a viver. Alguns dos entrevistados queixavam-se nunca ter visto nada assim nos últimos 40 nos e que o que estava a acontecer era uma catástrofe, pois as colheitas já se tinham perdido, os animais já não tinham pasto para comer e que até o consumo de água teria de ser racionado.

E eu pus-me a pensar... e a lembrar que, em Cabo Verde, raramente chove, havendo locais onde não cai uma gota de água há mais de 7 anos. Mas que mesmo assim as pessoas vão vivendo. Sobrevivendo. Sem ajudas, sem subsídios, sem agricultura, sem gado, sem água... e claro, sem telejornais, sem entrevistas...

Mas com o mal dos outros podemos nós bem, não é verdade? Venham mas é os subsídios que o pessoal precisa de comprar jeeps novos.

Dia Internacional da Mulher

A forma mais digna de mostrar alguma consideração pelas mulheres seria não ter escrito nada sobre o assunto, tal é a alarvidade que, para mim, este dia internacional das mulheres representa. Mas não resisti. Não pretendo, porém, fazer nenhuma homenagem nem nada do género. Até porque este dia serve precisamente para me lembrar que a mulher ainda recebe um tratamento diferenciado da sociedade. Assim como acontece com os idosos, as crianças, os gays, os deficientes, os analfabetos, os negros,...

Conselho

Não seja redundante. Evite repetir a mesma coisa várias vezes seguidas uma depois da outra e usar mais palavras do que o necessário para expressar as suas idéias de uma forma simples e sintética, sem grandes rodeios.