Porque é que os portugueses associam tanto o sexo à alimentação?

Uma das expressões mais curiosas, no nosso bom português, é aquela que se diz de uma pessoa que é atraente: “É boa como o milho!”. Mais que curiosa esta expressão é intrigante, pois o milho, temos de o reconhecer, não é assim tão bom como isso. Outra coisa irritante que se faz muito em Portugal é chamar “figos” às pessoas e esperar que as pessoas se sintam envaidecidas com isso. “Chamava-lhe um figo”, como se o figo fosse uma coisa fabulosa para estar assim a chamar às pessoas... Também só em português é que quase todos os nomes de frutos ou peixes são, por si só e por contexto, potenciais obscenidades. Os exemplos são muitos e nem vale a pena os mencionar. De facto, seja milho ou seja figo, a lição é clara: o povo português tem um tal amor à alimentação, sacralizando tanto aquilo que come, que sobrevaloriza certos alimentos, ao ponto de os confundir com objectos de paixão bastantes mais elevados, como sejam a título de exemplo, as pessoas. A pedra de toque desta inefável associação portuguesa do sexo e da alimentação, é o uso que se faz dos verbos que mais comummente se usam para designar a acção de quem se alimenta. O comer (e os seu congénere papar) não acabam nos confins da mesa do almoço ou do jantar... Ora bem, as conotações sexuais que há muito se deram a estas simples palavras fariam que um marciano, ao ouvir dois portugueses acerca de uma recente conquista, julgasse a nação portuguesa como um povo orgulhosamente canibal. A verdade é que deve haver uma explicação bem lógica para isto tudo. Talvez se deva à falta generalizada de ambas as coisas, não sei. O que vos parece?

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