Pimenta no olho do vizinho é refresco

Este governo anda muito discreto. Porém, tem dado alguns sinais quanto às políticas que aí vêm. Primeiro, com a história da venda de medicamentos fora das farmácias. Depois com a redução das férias judiciais para apenas um mês. E por último, a proposta de os professores começarem a ter que preencher os “furos” nas aulas dos alunos. Ora ninguém pode negar que estes sinais têm sido corajosos, pois vão contra interesses corporativos instalados na nossa sociedade. Talvez sejam o impulso necessário às reformas que o país tanto espera e necessita. Por isso, não se compreende as reacções dos farmacêuticos e dos juizes. Até parece que, só porque mexeram com os seus interesses, que já não querem as benditas reformas. As únicas reacções que me parecem justas, curiosamente na parte que toca com os meus interesses, são a dos sindicatos dos professores. De facto, essa história de os professores terem que preencher os “furos” dos seus colegas parece-me um pouco despropositado. Era o que faltava um gajo ter que andar a substituir um colega só para os meninos não ficarem sem nada para fazer. Pior, era o que faltava alguém ter que me substituir quando eu faltasse. Não me digam que agora um gajo já não pode ficar com dores de cabeça ou com indisposições físicas? Pensam que somos o quê? Por este andar, qualquer dia, ainda nos tiram os três meses de férias no verão ou reduzem aquelas, bem merecidas, semanas de descanso no Natal e na Páscoa. Já não bastou nos tirarem aqueles dois dias na semana do Carnaval? O que eu vos digo é que assim, mais vale continuar tudo na mesma. Que se lixem as reformas. Pelo menos aquelas que mexam comigo. Claro

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