Desabafo para consumo interno

Como devem imaginar, ao estar a trabalhar fora do meu país, deparo-me com muitas situações merecedoras de um comentário. Porém, sobre Cabo Verde, e por razões contratuais e de respeito pelo país que represento, tenho evitado fazer comentários depreciativos ou de índole político. Tenho também evitado falar sobre os problemas que os professres cooperantes que aqui trabalham enfrentam. Pois, não se pense que tudo é um mar de rosas. A verdade é que a nossa situação profissional, e o próprio Projecto de Cooperação, está muito aquém do desejável. Talvez por isso, fosse normal que os mais interessados nesta situação, ou seja os cooperantes, fizessem algo para a alterar. Mas é precisamente o contrário que acontece. Coisa típica de português, eu acho. Todos têm problemas. Todos têm opiniões. Todos dizem mal. Todos acham que sim. Mas depois, todos são inconsequentes e incapazes de se unirem em redor de um objectivo comum. Muitos dizem-me, que não vale a pena e que já não estão para se chatear. No fundo, acreditam é que haverá sempre alguém a fazer o nosso papel, a lutar pelos nossos direitos. E isso incomoda-me. Aliás, confesso que este sentimento de resignação e desinteresse, mais do que me incomodar, já me começa a chatear. Parece que estão todos conformados com este fatalismo que julgam traçado. Porém, eu ainda acredito que estamos a tempo de fazer algo. Nem que seja apenas a nossa parte. Nem que seja só pelos nossos interesses pessoais...

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