Ainda sobre o arrastão...

Alguns amigos, ainda meio afectados pela psicose gerada pelo, suposto, “arrastão”, têm-me perguntado sobre a criminalidade aqui em Cabo Verde, como que São Nicolau fosse uma espécie de Cova da Moura e a insegurança, os assaltos e a violência fossem situações normais e frequentes. De facto, e infelizmente, existe uma ideia enraizada, na maior parte dos portugueses, que os Cabo-verdianos (como os ciganos, os guineenses e outros) estão fatalmente predestinados para o crime. Pura ignorância. Só para que conste, desde que estou em São Nicolau, nunca ouvi falar de um assalto ou de qualquer acto de violência que por aqui tenha ocorrido. E notem que só temos 6 polícias para a ilha inteira.

Só pessoas muito ignorantes é que podem associar os recentes actos de criminalidade a razões de cor ou nacionalidade. Se existe uma forte associação da pequena criminalidade às comunidades de origem cabo-verdianas, ou outras, tal se deve a um problema puro e duro de integração. Deles e, especialmente, nosso. De facto, em vez de os aceitarmos como portugueses que são, preferimos remete-los para a ilegalidade e os acantonar em autênticos ghuetos, onde, com as maiores taxas de desemprego, consumo de droga, analfabetismo e miséria, só se sobrevive dignamente se se enveredar pelo mundo do crime ou algo semelhante. Por isso, não nos devemos espantar nem surpreender com o que tem vindo a acontecer. Afinal fomos nós, orgulhosamente portugueses*, que criámos a bomba relógio que ao que parece, pelos últimos acontecimentos, está prestes a explodir.

*Já agora aconselho a leitura deste post, no Acidental, que de uma forma muito bem-humorada nos remete, os orgulhosamente portugueses, para as nossas mais fiéis origens.

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