O Problema das Mulheres

Faltam-me poucas páginas para acabar de ler o livro Os Meus Problemas do Miguel Esteves Cardoso. Como muitos sabem o Miguel é um dos meus autores favoritos. Por mais que uma vez já senti inveja do que escreve. Aqui fica mais um exemplo. Leve, mas bem pensado e escrito. Espero que apreciem, apesar das minhas truncagens e adaptações.

O problema dos homens são as mulheres. E o problema das mulheres também. Concretamente, são as outras mulheres o problema das mulheres.(...) Por outras palavras, as mulheres são sempre o problema. E o problema, diga-se a verdade, é uma coisa que lhes fica bem. (...) Para cada mulher, a população feminina é um exército de rivais. Não se temem nem coibem, por muito formidável que pareça a adversária. A mulher mais fraquinha, mais tolinha e feinha despreza a mais forte, inteligente e bonita, com a maior das facilidades. Não há experiência mais arrepiante do que ver uma mulher a medir outra com os olhos.(...) As mulheres usam os olhos não tanto para olhar para as outras, mas para revistá-las. Revistam-se e depois catalogam-se.(...) As mulheres, quando arranjam um namorado, dizem-lhe sempre que não têm amigas verdadeiras, e que preferem a companhia das homens à das mulheres. E só quando a coisa corre mal que as amigas (que não havia) aparecem milagrosamente para ajudar à autópsia.(...) A rivalidade entre mulheres é um jogo permanente em que os homens são peças temporárias. A maravilha é conseguirem dar aos homens a ideia de que são eles os jogadores, de que são eles os caçadores. O que as mulheres fazem é conceder licenças de caça aos homens sempre que querem caçá-los. (...) É por estas e por outras que as mulheres portuguesas não acham mal roubar os namorados umas às outras: não acham que os homens possam ser alguém.(...) No fundo os homens são vistos como uns tontos desgraçados, brutos mas puros, que existem para que as mulheres possam medir forças entre elas.(...)

Reduz as necessidades se queres passar bem...

Como no outro dia ouvi, por muito dinheiro que se tenha, parece que falta sempre mais um pouco para se ser feliz. Somos de facto, por natureza, uns eternos insatisfeitos e, também, infelizes. Talvez por isso que quando conseguimos uma coisa que queremos o sentimento de felicidade seja tão efémero. Temos sempre a ilusão de que o que não temos é que nos fará feliz. Mas, quase sempre, uma necessidade ocupa mais o coração, durante mais tempo, que uma satisfação. Por isso mesmo é que valorizamos mais o que não temos do que o que de facto temos. O nosso problema não está propriamente em ter o que não temos mas sim, em desejar o que não temos. Quem não quer, nada sofre. Até porque, ter o que se quis não é assim tão bom.

Anormalidades

Hoje, na sala de professores, uma professora falava sobre um aluno que era assim meio para o indisciplinado. Às páginas das tantas uma outra professora questiona:

- É um rapaz de cor, não é?
Resposta pronta da professora que falava sobre o aluno:
- Não, é um aluno normal.

Coisas da Escola

Para muitos, a relação entre professor e aluno deve estar assente na amizade. Assim, são colegas, camaradas, amigos e tudo o que é mais fácil encontrar no mundo. O que não são, é o que é mais raro, difícil e ingrato: educadores, disciplinadores, modelos e guias. Não quero se porreiro, nem faço questão que os alunos gostem de mim. Basta que me respeitem e que aprendam. E, já agora, que me deixem jogar à bola com eles. Claro.

Expectativas

Hoje terei o primeiro dia de aulas. E o primeiro dia de aulas é sempre especial e difícil. Desta vez, imagino mil cenários diferentes, porque, sinceramente, não faço a mínima ideia do que vou encontrar. Claro que se disser que a escola fica na Bela Vista, em Setúbal, pode-se ter uma ideia... Mas, quase aposto que me vou surpreender. Ou então não.

Pelo sim, pelo não

Porque raio é que a maior parte das pessoas se diz católiconãopraticante (assim mesmo, como se de uma só palavra se tratasse)? Não acredito que seja apenas por tradição, cultura ou educação. Ou, simplesmente, por ser mais fácil. Tem de haver uma razão de fundo. Ora, quando alguém se diz católiconãopraticante, o que realmente quer dizer é que, na teoria, até acredita em Deus, mas que, na prática, finge que Ele não existe. O que, no dia a dia, diga-se, dá imenso jeito. De facto, quase todos acreditam que Deus é capaz de ser verdade, mas que, ao mesmo tempo, talvez isso não seja assim tão provável. E é precisamente aqui, no meio desta contradição e dúvida, que está a lógica da coisa. A lógica de pensar que, pelo sim, pelo não o melhor é não arriscar. Que, pelo sim, pelo não mais vale ser católiconãopraticante do que não ser nada. Porque, afinal, se Deus não existir não se perde nada. E caso exista, garante-se uma entrada directa no reino dos céus (porque, como sabemos, Deus protege sempre os seus). É essa a razão de fundo. Por isso mesmo é que se faz questão de baptizar as criancinhas na igreja católica, mesmo quando os pais até nem acreditam muito, ou nada, em Deus. Afinal, pelo sim, pelo não mais vale não arriscar. Ora bem.

Por estes dias tenho-me sentido só. Esteja com quem estiver. Talvez a culpa até seja minha, pois, acredito que, só se sente só quem não consegue estar consigo mesmo. E se uma pessoa não se suporta a si mesmo, como não há-de ser insuportável para os outros? Não sei se é esse o meu caso. Porém, reconheço que ando desleixado e desinteressado de mim mesmo. Quem me dera que a minha própria companhia fosse tão boa que forçasse as outras pessoas a competir com ela. Talvez assim as relações fossem mais verdadeiras. E em vez de todos se darem com todos, talvez, todos dariam um pouco mais de si aos outros. Ou não será verdade que só as pessoas que têm o cuidado de estimar as suas próprias companhias, passando tempo com elas, são capazes de ser boa companhia para os outros?