Pelo sim, pelo não

Porque raio é que a maior parte das pessoas se diz católiconãopraticante (assim mesmo, como se de uma só palavra se tratasse)? Não acredito que seja apenas por tradição, cultura ou educação. Ou, simplesmente, por ser mais fácil. Tem de haver uma razão de fundo. Ora, quando alguém se diz católiconãopraticante, o que realmente quer dizer é que, na teoria, até acredita em Deus, mas que, na prática, finge que Ele não existe. O que, no dia a dia, diga-se, dá imenso jeito. De facto, quase todos acreditam que Deus é capaz de ser verdade, mas que, ao mesmo tempo, talvez isso não seja assim tão provável. E é precisamente aqui, no meio desta contradição e dúvida, que está a lógica da coisa. A lógica de pensar que, pelo sim, pelo não o melhor é não arriscar. Que, pelo sim, pelo não mais vale ser católiconãopraticante do que não ser nada. Porque, afinal, se Deus não existir não se perde nada. E caso exista, garante-se uma entrada directa no reino dos céus (porque, como sabemos, Deus protege sempre os seus). É essa a razão de fundo. Por isso mesmo é que se faz questão de baptizar as criancinhas na igreja católica, mesmo quando os pais até nem acreditam muito, ou nada, em Deus. Afinal, pelo sim, pelo não mais vale não arriscar. Ora bem.

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