Dilema da semana

Apesar de objectivamente não concordar com os motivos invocados pelos sindicatos para a greve dos professores da próxima sexta-feira, acho que desta vez é inevitável e irrecusável não me mostrar solidário com os meus colegas. Afinal, não são todos os dias que se tem um fim de semana grande.

Para além da sinceridade

Se há defeito que não suporto é a sinceridade. Melhor, se há coisa que me chateia ouvir é, alguém dizer de si próprio, que o seu maior defeito é ser sincero. Mesmo aqueles que se dizem muito humildes, não conseguem ser pior que esta espécie de gente que insiste em fazer crer que são o que não são, apenas por vaidade. Aliás, se há coisa que estas pessoas demonstram é falta de humildade e de vergonha. Bastava um pouquinho de cada uma para perceberem que ninguém acredita no que dizem. Nem elas próprias. Pelo contrário, quem profere uma frase destas sabe muito bem que não está a ser sincero. Pensa apenas que desta forma se valoriza perante o seu interlocutor e que o faz acreditar em uma de duas coisas: que não tem defeitos e que é uma óptima pessoa ou que é uma pessoa geneticamente desbocada que diz tudo o que lhe vem à cabeça.

Por outro lado há pessoas que acham que a sua maior qualidade é serem sempre sinceros. E, por muito que me custe dizer, acham mal. Quem tem um mínimo de experiência de vida sabe muito bem que nem sempre ser sincero é o melhor. Obviamente que não quero dizer que mentir é preferível. Há que saber o que se diz e o que se pode e é conveniente dizer. É uma questão de motivo. Afinal, o que deve medir a nossa sinceridade não são as palavras em si, mas sim a intenção com que as dizemos. Até porque, como diz o poeta, quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo.

A Pandemia do Egoísmo

Cada vez me convenço mais de que a descoberta da vacina contra a Malária só acorrerá quando, por algum meio ou forma, o vírus chegar à Europa ou América. Até porque morrer dessa forma é inadmissível. Pelo menos quando perto de nós, claro.

Antigamente é que era bom!

Um dos nossos grandes problemas é sermos muito dramáticos e pessimistas. Independentemente da situação, sentimo-nos sempre em crise. Vivemos em crise. Talvez por isso que recordamos sempre os tempos passados, que na altura também já eram de crise, como os melhores. No entanto vivemos num mundo que, de dia para dia, pula e avança de uma forma extraordinária. E, a verdade é que nunca como hoje as pessoas tiveram tão boas condições de vida. Por outro lado, também, nunca como hoje as pessoas andaram tão deprimidas, o que não deixa de ser um pouco estranho e contraditório. O pior é que nem nos apercebemos desta contradição em que vivemos. Por isso dizemos que estamos em crise. Ou seja, deitamos as culpas em algo abstracto, desculpando-nos da nossa incapacidade para conseguir traduzir em bem estar, e em felicidade, as evoluções que vamos alcançando. O mais interessante é que é essa insatisfação que nos alimenta e nos mantém vivos num ciclo vicioso. Sentimo-nos frustados e por isso ambicionamos mais. E assim, como se de uma função inversamente proporcional se tratasse, lá o mundo vai avançando num ritmo cada vez mais frenético. E por cada pulo que dá, nós afundamo-nos mais um pouco. E de pulo em pulo temos o nosso destino traçado. Enterrado.