Dizer mal é uma condição indispensável para produzir bem e obrigatória para produzir melhor

Um blogue serve, essencialmente, para dizer mal. Mas, como estamos tão habituados a ouvir falar mal de tudo, torna-se difícil ser original. Dizer mal, não é, infelizmente, uma opção. Ou melhor, é uma opção, mas irrecusável. Por muito que não se queira, há nos portugueses uma sensação de inevitabilidade em dizer mal. É algo genético, dominante, embutido e aperfeiçoado de geração em geração. Aliás, se o povo português, não dissesse mal e não se queixasse de tudo, faltava-lhe assunto. E por isso, engordava. Deixava de ir à missa. Deixava de ver os Reality Shows e de gostar do Castelo Branco. Começava a ler. Perdia a potência sexual. Extinguia-se.

Mas, do que os portugueses gostam mesmo de dizer mal é dos próprios portugueses. Esse é o nosso desporto nacional. Especialmente, apreciam-se as comparações com os estrangeiros, as estatísticas e os ranking’s a nosso desfavor. É a nossa desculpa. O nosso fado, destino, sei lá. A nossa paródia. Contudo, quando ouvimos algum estrangeiro falar mal de Portugal, ou dos portugueses, indignamo-nos, sentimo-nos injustiçados, invocamos os descobrimentos. E, durante uns minutos, vemos Portugal como o melhor país do mundo, sem compreender como alguém pode dizer mal de um país com pessoas tão maravilhosas e acolhedoras, com tão bom futebol, comida, clima e vinho barato.

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