Abriu a época de incêndios

Em jeito de aquecimento para o que nos espera nos próximos tempos, assistimos esta semana aos primeiros incêndios mediatizados. Depois da época balnear, da época de exames, da época da caça, passámos a ter, também, a época dos incêndios. Todos os anos a mesma coisa. Primeiro vem a seca. Depois as ondas de calor- este ano, vá lá, até tivemos direito a uns mosquitozinhos e tudo. E, finalmente, os incêndios. Inevitável, como o destino*.

Embarcando na moda das teorias da conspiração, tenho para mim que tudo isto é potenciado e orquestrado pelos media, em especial pelas televisões, ávidos de imagens dantescas com chamas alaranjadas a lamber o máximo de árvores e casas possíveis. Não tenho qualquer dúvida que tudo é preparado, com muitos meses de antecedência, ao ínfimo pormenor, como se de uma campanha publicitária se tratasse. Aliás, as televisões preparam-se melhor, com equipamentos sofisticados, montes de jornalistas corajosos, uns quantos helicópteros e não sei mais o quê, do que os próprios bombeiros. E depois, claro que se tem de fazer render todo esse investimento. Por isso, preparem-se para começarem a levar com, pelo menos, 20 minutos de telejornal sobre incêndios (a somar aos 30 minutos sobre o mundial), onde tudo, inevitavelmente, será sobrevalorizado, exagerado e dramático. Até parece que estou a ver: os helicópteros lançando gotas de água sobre as chamas; os bombeiros correndo de um lado para o outro, impotentes e sem camisa; as populações a queixarem-se dos aviões, ou da falta deles; as entrevistas sucessivas a gente corajosa, transpirada e suja de cinzas; os rostos de velhinhas cobertas de lágrimas, lamentando-se de que nunca viram nada assim; hectares e hectares de mato queimado, passando por floresta densa; pontos de situação e alertas coloridos; promessas de reforço de meios, campanhas de solidariedade e blábláblá ... Enfim... É de um gajo ficar farto. Enojado. Dos incêndios, é certo, mas mais ainda dos telejornais que se tornam numa verdadeira seca, e pior, na melhor publicidade para que haja mais incêndios e incendiários. Mas isso não interessa nada. Desde que as audiências estejam garantidas, claro.

*essa história do destino é uma força de expressão, entenda-se