Ir à praia

O calor leva-nos involuntariamente à praia. O que, bem vistas as coisas, não deixa de ser curioso e paradoxal. Senão, vejamos. A ideia de ir à praia deveria ser a solução para fugir do calor, o nosso estímulo inicial. Contudo, quando vamos à praia, muito rapidamente sonegamos o incómodo do calor, entregando o nosso corpo ao sol tal qual um espeto de picanha se entrega ao assador. Claro que, de quando em vez, lá vamos à água e refrescamos. Mas, por estranho que pareça, ir à água é muito menos do que isso. Muitas vezes, só se vai à água para que não se pense que se vai à praia sem se ir à água. Ou então para suprir alguma necessidade fisiológica. Sim, porque, como toda a gente sabe, quase todos, senão todos, mictam na água. É um facto. A chatice é que todos pensam que por ser no mar, coisa grande e infindável, que não há grande problema. Afinal, tirando o quentinho do momento, e exceptuando os casos de alguns que quando entram na água se põem de cócoras a fingirem estar a ambientar-se à água, a coisa até passa despercebida. Uma gota no oceano, portanto. O pior, é que todos pensam da mesma forma o que faz com que sejam muitas gotas no mesmo oceano e, inevitavelmente, nos nossos lábios.

No fundo, vamos à praia em dias de calor, porque, em primeiro lugar, sabemos que as outras pessoas também irão lá estar. Não passa disso mesmo. Um acto social, onde a matilha se encontra e representa o seu papel de acordo com as suas expectativas e motivações. E, a grosso modo, todas essas expectativas e motivações podem ser enquadradas em dois grupos distintos de pessoas que vão à praia. Os que vão para se mostrar e os que vão para ver. Os primeiros, estão normalmente o ano inteiro no ginásio, e em frente ao espelho, a prepararem-se para o momento, sabendo que, os segundos, estarão lá a olhar para eles a invejá-los e a fazerem promessas para consigo próprios de dietas e exercício físico esforçado.

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