Ser benfiquista

Não poucas vezes, dou comigo a tentar perceber porque sou do Benfica. Na falta de uma razão melhor, suponho que, como não me lembro de ter optado por este ou aquele clube, só pode ser um problema de nascença. Nasci assim. Inteligente, bonito e, para compensar, benfiquista. Há quem nasça com o rabo* virado para a lua e depois há os infelizes dos benfiquistas. É um facto. Por isso, tenho para mim que, não fosse Adão ter comido a maça, todos seriam da Académica e felizes.

Ser do Benfica, tal como o género sexual, não se escolhe. Está predestinado. Quanto muito, revoltados, podemos nos travestir em outra coisa qualquer. E há razões para isso, pois ser do Benfica há muito que não envaidece nem dá genica. Pelo contrário. Bastava que um Aladino qualquer concedesse a um benfiquista um desejo futebolístico para rapidamente optar por um clube mais decente, como o belenenses ou assim.

Ser do Benfica é uma convicção romântica - é ter na alma uma chama imensa que nos consome e sei lá mais o quê - que pouco tem que ver com desporto ou futebol. Por isso perdura. Porque se fosse pelo qualidade do futebol praticado nem seis benfiquistas haveriam, quanto mais seis milhões. Pode-se gostar muito de futebol mas, um benfiquista, gosta muito mais do Benfica. Futebol sem Benfica é como ciclismo. Mas menos interessante. Benfica sem futebol é o dia-a-dia. Jogo-a-jogo.

Este ano está mais que visto que, impossibilitados de escolher os árbitros, nem a taça da amizade ganhamos. A ver pelos últimos jogos, que eu não vi, bem podem os nossos rivais, se é que os há neste nosso Portugal, ficarem preocupados com o Paços de Ferreira e tal. Aliás, só vejo futebol na televisão, tal como hóquei patins ou esgrima, quando o Benfica joga. Mas, como o Benfica não tem jogado nada, tenho me dedicado mais ao ciclismo e isso.

Afinal, o que se poderia esperar de umas papoilas saltitantes, ainda por cima, vestidas com camisolas berrantes?

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