Dúvidas políticas

Em época de balanços e projecções noto que o desemprego é o tema que mais preocupação traz aos portugueses. Muitos, convenientemente, responsabilizam o governo pela situação a que chegámos. 8,2 %. Porém, são os mesmos que, quando o governo traçou como objectivo o aumento do emprego, acusaram tal promessa de completa demagogia e propaganda política, argumentando que não é o governo que cria postos de trabalho. Mas se o governo não é responsável pelo aumento do emprego, pode ser responsável pelo aumento do desemprego?

Proibido Fumar

Ao que parece, e para surpresa de muitos, a nova lei que proíbe fumar em recintos fechados está a ser bem recebida e cumprida pela generalidade dos fumadores. Portugal precisava de uma lei assim. De 1º mundo. Que, mais do que melhorar a saúde das pessoas, só se pudesse aplicar num país desenvolvido e não cá. Finalmente temos uma lei que não permite desabafos do tipo "ah se fosse na América ou na Suécia isto não era assim...". Agora cá é como lá, onde dizem que se vive bem. E isso dá-nos esperança e enche-nos o peito. Aumenta-nos a auto-estima. Aos portugueses não interessa se esta lei faz bem à saúde. Se fosse só por isso nenhum fumador a elogiava. O que interessa aos portugueses é que esta lei traz um arauto de modernidade e de desenvolvimento que, pelo menos nisto, não podem deixar escapar. Receiam passar por provincianos. Por isso são tão cumpridores, educados e compreensivos. Vaidade, apenas isso. O problema é que este tipo de sentimentos não perdura nos portugueses - somos mais invejosos do que vaidosos - e bastará um ou dois exemplos convenientes para que, mais cedo ou mais tarde, se invoque a liberdade individual e o 25 de Abril para que tudo volte ao mesmo. Afinal, não fomos feitos para isso, nem a lei foi feita para nós.

Eu acho... essencialmente... coisas perdidas

Já vai para mais de 1 ano que não escrevo aqui. A preguiça, os afazeres e a esposa (não necessariamente por esta ordem) colocaram-me num estado de letargia bloguista que só o acumular de perplexidades pôs fim - como sabemos, as perplexidades produzem opiniões e as opiniões só fazem sentido se partilhadas e confrontadas.

O português, ao contrário do que se pensa, não tem opinião sobre nada de essencial. Faltam-lhe ideias e interesse para as produzir. Quanto muito, de uma forma preguiçosa, “acha que” qualquer coisa – excepto, claro, em assuntos que tenham que ver com a vida dos outros. E quando “achamos” alguma coisa, dificilmente “achamos” bem. Achar mal está mais de acordo com a nossa natureza pessimista. Ajuda-nos a encarar a vida. Desculpa-nos.

Acho que devíamos ter opinião sobre tudo e alguma coisa. Nem que seja para cair no ridículo. Eu, parece-me, já estou a fazer a minha parte.