Orçamento de Estado

A única característica positiva que sobressai da Dr. Manuela Ferreira Leite é a sua imagem de credibilidade e rigor. Daí que, sempre que fala, faz questão de vincar a sua postura de estado querendo fazer crer que é a única que fala a verdade e que sabe da coisa. Mas o problema é mais do que uma questão de estilo. O que é importante saber é se a Dr, Manuela tem, ou não, competência e se é, ou não, a pessoa certa para ser primeiro ministro. E, para isso, temos que analisar mais do que estilo e dissecar o que diz e, e propõe. E nesse aspecto, custa-me ouvi-la num discurso que, se o entendermos bem, denota algumas falhas de coerência, honestidade e até de soluções. Ao classificar o valor de 0.6 de crescimento do PIB de irreal, nesta conjutura, e indicar o valor de 0.2 como o mais indicado, não lhe parece que está a ser pouco honesta? Ainda para mais quando foi responsável por “prognósticos” em OE anteriores que falharam estrondosamente com diferenciais de 3%? Por outro lado, não lhe parece estranho que a promotora da “obcessão do défice” entre agora numa lógica de medidas que põem em causa o défice público? E o que dizer da sua posição quanto aos grandes investimentos públicos quando, ao mesmo tempo, diz que deve haver uma preocupação com o emprego? Será que é apoiando as empresas que têm prejuizo que se vai criar emprego e desenvolver e melhorar o tecido empresarial português? Serão estas empresas, as que dão prejuízo, que vão alterar os números de desemprego e do desenvolvimento económico? E o que dizer da acusação de que OE está cheio de truques? Será que está a pensar na titularização das dividas que entregou ao citibank? E quando diz que a crise internacional só atingiu Portugal porque Portugal já estava em crise, será que pensa o mesmo para Espanha, Reino Unido, Alemanha,França e todos os outros países? E quando o FMI diz que Portugal vai crescer 1% e muitos, que sempre cresceram mais do que Portugal, vão entrar em recessão, será que também está a vender ilusões?