Proposta de Avaliação de Professores (1ª versão e 2ª versão)

Ficam aqui disponíveis, para consulta, os links para as primeiras versões da proposta de Avaliação de Desempenho Docente:

Proposta de ADD - 2ª Versão

Proposta de ADD - 1ª Versão

2 comentários:

imank disse...

Caro João Narciso:
Cá estou eu para comentar a sua proposta e assim de repente, ocorreu-me o que acaba de admitir na nota 8 do seu próprio post - esta proposta está demasiado "colada" à do Governo, é claro que isso não a desvaloriza, mas acaba por a "limitar" ou se preferir, "delimitar".
Faço só alguns apontamentos:
- A periodicidade parece-me excessiva e o número de aulas a observar,diminuto. Com efeito, de dois em dois anos significa que o processo de avaliação se tona "asfixiante" e sobrepuja tudo o resto, repetindo um dos erros deste actual: ser auto-centrado e produzido para si mesmo.
Como professor da área científica das matemáticas não ignora certamente que qualquer processo racional exige validade e fiabilidade, ou seja, tem que medir o contexto funcional "real". Ora, este processo com tão curta periodicidade não o faz, antes "inventa" o seu próprio contexto que se centra em si mesmo, só existe para ser "avaliado" e enquanto o for.
Por isso, a periodicidade deveria ser de quatro em quatro anos e as sequências de aulas a observar de dez ou doze,(na mesma unidade didáctica), duas vezes durante esse período.(Em duas aulas "desgarradas" o que se conseguirá observar com rigor e fiabilidade? Um show montado que nunca mais acontecerá a não ser em idênticas circunstâncias).
Quanto às "carreiras" diferenciadas concordo consigo e também já o escrevi, seriam três em e em vez da ridícula designação de "Professor Titular" deveriam ser:
"Professor" - com funções lectivas "normais", pois há pessoas com muita vocação e aptidão para elas, mas com pouca ou nenhuma para outras.
"Professor Coordenador" - com funções de Coordenação de Grupo e Departamento e de Gestão, Direcção e Avaliação da componente administrativa.
"Professor Supervisor" - com funções de Supervisão Pedagógica e Avaliação de Desempenho na componente científico-pedagógica.
Admito até que poderia haver uma ligeira diferenciação salarial para estas duas últimas funções em relação à primeira, pelo acréscimo de competências especializadas e de "responsabilidade".
O acesso a estas funções realizar-se-ia por concurso público.
Limitaria radicalmente em todos os aspectos o peso da burocracia inútil (portefólios e etc.) e todas as acções e aptidões reinvidicadas teriam que ser factualmente comprovadas através de processos de demonstração prática e nunca apenas documental.
António José

Anónimo disse...

Li a proposta. O que acho?... mesmo não me tendo sido pedida opinião. Que tem alguns pontos bondosos com os quais concordo e outros dos quais discordo profundamente e que se aproximam do actual modelo.
De acordo:
Avaliação realizar-se dentro da escola
Repartir-se por 2 olhares que avaliam realidades diferentes
Os ciclos de avaliação terem duração igual ao da permanência no escalão

Em desacordo:
A explicação necessita de um preâmbulo: Temos que partir de uma base de confiança nos professores. Confiar nos cursos que tiraram, no estágio que fizeram e na experiência que possuem. Quer isto dizer que somos todos iguais e igualmente “bons” ? Claro que não, mas a solução não pode ser o castigo, não só porque não gosto de castigos, mas sobretudo porque não resolvem o problema. O professor com desempenho “suficiente” ou “insuficiente” continua a fazer o mesmo, só não ganha mais. Não me parece fazer sentido e penso haver uma contradição entre os princípios orientadores enunciados e as consequências da avaliação.
Pelo texto perpassa também a defesa da divisão da carreira (sem diferenciação funcional, o professor “normal” e com diferenciação funcional, os professores avaliadores)
Acho que o avaliador deve ser escolhido pelos seus pares. Há uns tempos escrevi: “Sou a favor da observação do desempenho em aula (sem papéis, planificações, justificações – isso já foi no estágio). Sou a favor de que os professores em cada escola decidam quem são aqueles que respeitam em termos científicos e pedagógicos e, não menos importante, em termos humanos – e esses é que devem ser os avaliadores. Sou portanto a favor de que a avaliação de desempenho se faça no interior de cada escola. Não acho sequer determinante que o avaliador seja da mesma área disciplinar. A capacidade científica dos professores foi validada pelo seu curso, pelo que não deve ser permanentemente questionada; o que se deve observar é a capacidade que cada um de nós tem para transmitir esses conhecimentos, para ENSINAR.”
Claro que me pode perguntar.”Então não há maus professores do ponto de vista científico?” Claro que há. Alguns. E esses devem ser ajudados até à exaustão. Se recusarem a ajuda ou não conseguirem por qualquer motivo alterar o seu desempenho é porque estão na profissão errada e, não ajuda seguramente os nossos alunos, o facto de terem insuficiente e não progredirem. Para esses há a Inspecção e há a possibilidade de terem de ver a sua carreira reconvertida numa outra actividade que não leccionar.
Também não estou de acordo que se “legisle” o número de aulas a observar. (Aliás considero que qualquer modelo deve ser o menos legislado possível, deixando margens de autonomia às escolas).Tendo em conta que o fim deve ser a melhoria do desempenho (a tal de avaliação formativa defendida nos princípios orientadores) deverá ser o avaliador a decidir sobre esta matéria. Para um professor pode chegar uma para outro podem ser necessárias algumas mais.
O texto já vai longo. Para concluir. Considero que a proposta padece do mesmo mal daquela que está em vigor: a obsessão de se avaliar tudo. É importante que nos centremos no essencial. E para desempenharmos bem o que é essencial na nossa carreira precisamos de tempo. E o tempo é um bem escasso…

Rosário Queirós