Dúvidas "crespológicas"

1. Será que ninguém se indigna que conversas privadas entre amigos, num restaurante, sejam tema de um artigo de opinião de um jornalista?

2. Será que voltámos ao tempo da “bufaria” pidesca (onde até se fazem dossiês sobre algumas pessoas…) , em que se tem de ter cuidado com o que se diz em privado?

3. Será que uma pessoa, em privado, não pode dizer mal, injuriar e chamar impreparado a quem queira?

4. Será que o 1º ministro e outros não podem achar o jornalismo do Crespo parcial e mal feito?

5. Será que alguém do governo combina acabar com o jornalista Crespo num restaurante, cheio de pessoas com os ouvidos na conversa alheia, sabendo que o homem tem um programa próprio no canal privado do fundador do PSD?

6. Será que é pedir muito que um jornalista confirme devidamente as fontes da sua notícia – porque, de facto, este artigo seria uma “grande” notícia - e desse oportunidade ao contraditório, visto a coisa ter sido contada por entrepostas pessoas?

7. Será que um jornal, criminalmente responsável por o que se escreve no jornal, não deve questionar o autor de um artigo, especialmente quando os meios de obtenção da notícia não cumprem as práticas deontológicas, sobre a veracidade e confirmação do que escreve?

8. Será que não é estranho que o próprio jornalista Crespo se recuse a confirmar a notícia que dá e deixe de publicar o artigo na sua coluna semanal?

9. Será que não é estranho que o jornalista Crespo se coloque em bicos de pés na senda de outros grandes jornalistas, MMG e JMF, e se faça um mártir do jornalismo independente?

10. Será que não é estranho que o jornalista Crespo faça publicar o seu artigo num sitio ligado ao PSD?

11. Será que não é estranho que isto tudo coincida com a publicação, no próximo dia 11, do livro do próprio jornalista Crespo (e que, segundo já fez saber, inclui este artigo)?

Será?

2 comentários:

Anónimo disse...

Notei a ausência de comentários no blog. Penso que talvez seja porque o que foi escrito já chega, é o sifuciente e não precisa de comentários. Em todo caso, só para dar apoio, segue meu comentário.
O texto em questão, "será", me fez lembrar de uma música de Chico Buarque. Existe em você esta veia literária, aproveite e capriche (com exageros) no uso das letras.



"O que será que será
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurrando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças, anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Estão falando alto pelos botecos
E gritam nos mercados que com certeza
Está na natureza
Será que será
O que não tem certeza nem nunca terá
O que não tem conserto nem nunca terá
O que não tem tamanho

O que será que será
Que vive nas idéias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes
Está no dia-a-dia das meretrizes
No plano dos bandidos dos desvalidos
Em todos os sentidos, será que será
O que não tem decência nem nunca terá
O que não tem censura nem nunca terá
O que não faz sentido

O que será que será
Que todos os avisos não vão evitar
Porque todos os risos vão desafiar
Porque todos os sinos irão repicar
Porque todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E mesmo o padre eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno vai abençoar
O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo"

Letra de 'Chico Buarque'


Abração,

Renata

Anónimo disse...

Para os gramáticos de plantão, a palavra "sifuciente" é um erro de digitação, mas digamos que seja um neologismo. Até poderia ser.

Renata (a mesma do comentário anterior)